Era um jovem lutador, mas não rebelde. Obedecia a
todas as regras – ao menos às que convinham. Fazia tudo o que uma pessoa normal
fazia: estudava, trabalhava, dormia e agia como um outro qualquer. Nas noites
de sexta saía com os amigos. Tinha uma namorada. Tinha pais, irmãos, e até um
cachorro chamado Ted.
Era normal – em partes. Mas não se sentia como ele
mesmo. Achava que agia como uma máquina. Sempre os mesmos movimentos, a mesma
sequência decorada. Estava cansado da vida. Decidiu se exilar.

Comprou uma passagem, foi direto à Índia. Ouviu dizer que lá os espíritos eram calmos e serenos. Banhou-se nas águas – sujas – do rio. Meditou, aprendeu mantras, tornou-se um homem voltado para o mundo espiritual.
Mas não parou por aí. Fingiu um estudo social qualquer
e conseguiu apoio de faculdades importantes. Dinheiro não era problema mais,
então seguiu para China, Rússia, Japão, Austrália... Cada lugar com um
conhecimento a mais para lhe oferecer, um novo aprendizado.
Perdeu o contato com todos, e hoje só sabem dele por
meio dos e-mails mandados à faculdade (sempre pedindo mais dinheiro). Dizem que
se instalou na Europa e hoje mora com uma inglesa e o filho, à custa do
dinheiro do tal estudo.
Por: Layla Silva


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